Organizações que utilizam IA para monitorar o comportamento e a produtividade dos funcionários podem se deparar com um aumento de reclamações, queda na produtividade e maior rotatividade, a menos que consigam enquadrar a tecnologia como uma ferramenta de apoio ao desenvolvimento dos colaboradores, revela uma pesquisa da Cornell University.
As ferramentas de vigilância, cada vez mais usadas para rastrear e analisar atividades físicas, expressões faciais, tom de voz e comunicações verbais e escritas, causam uma sensação maior de perda de autonomia comparado à supervisão humana. Isso pode levar a uma resistência que afeta negativamente o desempenho dos funcionários.
As Consequências Inesperadas da Vigilância por IA
Empresas que utilizam tecnologias de vigilância para avaliar se os funcionários estão procrastinando, tratando bem os clientes ou se engajando em práticas inadequadas devem considerar as consequências não intencionais. Tais práticas podem provocar resistência e prejudicar o desempenho. No entanto, há uma oportunidade para conquistar a adesão dos colaboradores se eles perceberem que as ferramentas são para assisti-los, e não para julgá-los.
Emily Zitek, professora associada de comportamento organizacional na ILR School, explica: “Quando tecnologias avançadas são implementadas para fins de desenvolvimento, as pessoas gostam de aprender com elas e melhorar seu desempenho. O problema surge quando elas sentem que estão sendo avaliadas automaticamente, sem poder contextualizar os dados.”
Estudos e Resultados
A pesquisa, conduzida por Zitek e Rachel Schlund, Ph.D., revelou que a vigilância algorítmica provoca menor percepção de autonomia e maior resistência entre os funcionários. Em um dos estudos, os participantes que acreditavam estar sendo monitorados por IA geraram menos ideias, indicando um pior desempenho.
Outro estudo simulou a vigilância no ambiente de trabalho. Os participantes foram informados que suas atividades seriam monitoradas por um assistente humano ou por IA. Quando receberam feedback da IA sobre sua produtividade, mais de 30% criticaram a vigilância algorítmica, em comparação com apenas 7% que criticaram a supervisão humana.
Oportunidades para Implementação
Apesar das críticas, a pesquisa sugere que é possível implementar a vigilância algorítmica de maneira que ganhe a confiança dos funcionários. Quando a análise é utilizada para fornecer feedback de desenvolvimento, a percepção de invasão de autonomia diminui, e a intenção de desistir do trabalho não aumenta.
Zitek conclui: “As organizações devem reconhecer os prós e contras dessa tecnologia. Devem buscar maneiras de torná-la mais voltada para o desenvolvimento ou garantir que os funcionários possam adicionar contextualização aos dados. Se as pessoas sentirem que não têm autonomia, não ficarão satisfeitas.”
Considerações Finais
A utilização de IA na vigilância dos funcionários pode trazer benefícios, mas também desafios significativos. Para líderes e gestores, a chave está em implementar essas ferramentas de forma que promovam o crescimento e desenvolvimento, ao invés de apenas monitorar e avaliar. A tecnologia deve ser um aliado no desenvolvimento de carreira e na criação de um ambiente de trabalho mais produtivo e satisfatório.
Referência:
Schlund, R., & Zitek, E. (2024). Algorithmic versus human surveillance leads to lower perceptions of autonomy and increased resistance. Communications Psychology. DOI: 10.1038/s44271-024-00102-8
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